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Outubro Rosa: profissionais da área médica do IFBA alertam para importância da avaliação de jovens com histórico familiar de câncer de mama

Apesar de não ter histórico da doença na família, estudante do IFBA recebeu o diagnóstico de câncer de mama aos 20 anos.
por Bárbara Souza publicado: 23/10/2020 17h12, última modificação: 25/10/2020 11h45

“O câncer de mama é o que mais causa morte por câncer nas mulheres”. A afirmação é da médica Clarissa Sacramento, do Serviço Médico do Campus Santo Amaro. Segundo ela, há estimativas de que em 2020 mais de 60.000 novos casos da doença sejam diagnosticados no Brasil, “o que é muito relevante e um problema de saúde pública”. Na sua avaliação, as campanhas como o Outubro Rosa trazem à tona mais informações sobre o tema para a população e ajudam a “desmistificar o câncer”, além de lembrar as mulheres sobre “a importância do rastreamento do câncer de mama, que permite um diagnóstico precoce”.  

Maria Creusa Lins Rolim, médica do Serviço Médico do Campus Salvador, lembra que a incidência de câncer de mama em pessoas jovens é menor, “mas ocorre”. De acordo com a profissional, “o grande fator de peso é o fator genético”. Por isso, mesmo pessoas com idades entre 18 e 25 anos – faixa etária na qual se enquadra grande parte das e dos estudantes do IFBA – que tenham história de câncer de mama na família “merecem ser avaliadas para câncer de mama numa idade mais precoce” e fazerem avaliação genética para esse fator de risco. Maria Creusa ressalta que a avaliação genética é algo simples, que “a maioria dos mastologistas faz, não é tão caro e pode salvar vidas com o tratamento precoce ou até a terapia profilática de prevenção que seria a retirada das mamas e a colocação de próteses”.

Apesar de não ter histórico familiar, a estudante de licenciatura em Geografia do IFBA, Priscila de Jesus, 22 anos, viveu a dura experiência de receber um diagnóstico de câncer de mama quando tinha 20 anos. Ela relatou ao site iG Delas o processo que enfrentou após ser diagnosticada com a doença. “Eu estava tirando a roupa para tomar banho e senti um carocinho. Fiquei meio perdida", disse ao iG Delas, ao contar que teve um diagnóstico tardio do tumor.  "Quando eu fui fazer ultrassonografia, a médica me disse que não era para eu me preocupar, eles não acreditavam muita na minha palavra", relatou ao iG Delas a estudante, que à época não tinha plano de saúde, o que tornou mais difícil o enfrentamento da doença. Priscila venceu o câncer, felizmente. Nas suas redes sociais, ela publica posts sobre assuntos relacionados ao câncer de mama - como autoexame e reconstrução mamária – com o intuito de contribuir para a conscientização acerca da prevenção à doença.  

TUMORES TÊM “COMPORTAMENTO MAIS AGRESSIVO” ENTRE JOVENS

“O diagnóstico precoce do câncer de mama é fundamental, e mais importante, ainda, em jovens, que são um grupo em que os tumores têm um comportamento mais agressivo, e a mortalidade é mais elevada”, alerta Alessandra Queiroz Araújo, médica do Campus Simões Filho. Ela chama atenção para dois aspectos importantes. “O primeiro é que os jovens têm mais acesso à informação, num ambiente de estudo, e podem levar informação sobre diagnóstico e prevenção a seus lares. O segundo é que é importante que meninas e meninos, jovens, aprendam a verificar mensalmente as mamas - as meninas, após o período menstrual. Dessa forma, se familiarizam com suas características e são capazes de notar alterações, se surgirem”, afirma.

Sobre a influência de fatores psicológicos no desenvolvimento ou agravamento de um câncer, particularmente, do câncer de mama, doutra Alessandra explica que “existe comprovação de que a meditação, a prática do yoga, a frequência a cultos religiosos aumenta chances de cura e remissão em pacientes com câncer”. Segundo ela, são “práticas positivas e que devem ser incentivadas”, assim a adesão a uma rotina diária de exercícios físicos.

CAMPUS ROSA

A médica de Santo Amaro, Clarissa Sacramento, reitera que “a principal arma para a detecção precoce do câncer de mama é a realização periódica da mamografia, conforme a idade indicada, que pelo Ministério da Saúde é a partir dos 50 anos”. Ela ressalta ainda que a importância de “manter uma postura atenta e, ao notar qualquer alteração suspeita”, buscar ajuda médica. Entre os sinais para os quais é preciso atenção estão alterações como a presença de nódulos, a saída de líquido anormal por um dos mamilos – “em especial aqueles com aspecto de sangue ou de “água” -, alteração da pele da mama/mamilo ou do formato da mama/mamilo, lista a médica. “Nos homens, o câncer de mama é muito raro, mas vale ficar atento a estas alterações também”, conclui.

No campus Santo Amaro, explica Clarissa, todo mês de outubro o Serviços Médico Odontológico (SMO) e a Coordenação de Gestão de Pessoas “fazem uma parceria” para a realização de ações em prol da campanha do Outubro Rosa. “Decoramos o campus com faixas, trocamos a iluminação da recepção para cor de rosa, distribuímos broches com o laço que é símbolo da campanha, fazemos murais informativos e encaminhamos materiais virtuais acerca do tema também”, detalha Clarissa, ao ressaltar que durante o ano inteiro “o serviço médico está aberto ao atendimento de qualquer membro da comunidade que precise de avaliação ou orientação”.  

A doutora Maria Creusa Rolim relata que o Serviço Médico do Campus Salvador faz “regularmente” publicações e cartazes sobre as patologias abordadas no calendário das principais campanhas de saúde, como depressão, diabetes e câncer de mama. “A gente tenta divulgar o máximo possível informações sobre as doenças e a prevenção”.  A médica enfatiza que o câncer de mama “é uma doença tratável e em muitos casos curável” e a prevenção envolve o autoexame, mas também “consultas regulares com o mastologista, que é o especialista em mama” e exames de imagem como ultrassom de mamas e a mamografia.